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Imagem: freepik / wayhomestudio

TRABALHAR TEM A VER COM ENTREGAS E NÃO COM HORAS

*Por Ricardo Missel

A grande maioria dos profissionais que atuam no mercado de trabalho hoje desenvolveram suas habilidades em uma cultura que entendia o tempo dedicado ao trabalho como o grande indicador de sucesso e produtividade. Pessoas que trabalhavam mais do que 40 horas por semana (muitas trabalhando 60 horas) eram vistas como grandes profissionais e reconhecidos como exemplo de dedicação e comprometimento, em função das horas que estavam no trabalho. Essa é uma ideia bastante presente no mundo ideal da maioria das lideranças: contar com pessoas que dediquem muitas horas para o negócio. Um pensamento bem adaptável aos tempos da revolução industrial.

Mesmo em 2021, estamos diante de um dos maiores equívocos da gestão de pessoas na 4ª revolução industrial: mensurar a qualidade do sucesso e do trabalho das pessoas pelo tempo em que elas passam “na frente do computador”, “em suas estações de trabalho”, “no telefone com o cliente” ou qualquer outro tipo de indicativo ilusório de que ela esteja realmente sendo produtiva. Essas condições como indicativo de sucesso e bom desempenho no trabalho são reflexos de uma época em que a desconfiança, a falta de flexibilidade e a pouca autonomia ditavam os valores do trabalho, iniciativa dos líderes e as políticas de gestão de pessoas. Por isso, precisamos falar sobre trabalho em um contexto adaptado à uma nova realidade dos negócios.

Com o avanço da tecnologia, da mobilidade e da globalização, alguns desses parâmetros e conceitos sobre trabalho foram modificados, principalmente aqueles relacionados ao espaço e tempo de trabalho. Seja por uma questão de local ou agenda, trabalhar deixou de ser sinônimo de cumprir um determinado número de horas de dedicação exclusiva em um determinado local. A pandemia deixou isso ainda mais claro, acelerando uma tendência do trabalho remoto ou híbrido e da necessidade de adaptabilidade das agendas dos profissionais.

Precisamos desenvolver uma nova cultura que mensure a qualidade e o sucesso do trabalho por suas entregas, e não por suas horas. Precisamos entender que a expectativa precisa ser sobre resultados e não sobre lugares.

Essa mudança de cultura tem um impacto imediato sobre diversos aspectos, dentre eles:

– Aumento da produtividade: a partir do momento que o profissional sabe que seu desempenho é avaliado a partir do seu resultado e não pelo seu tempo dedicado, a tendência é que ele se torne mais produtivo e autônomo, com mais iniciativa em busca dos objetivos reais.

– Melhor clima organizacional: quando as pessoas dedicam o seu melhor momento e optam pelo melhor ambiente para trabalhar, elas se sentem mais felizes, menos estressadas e, consequentemente, entregam com mais qualidade.

– Atração de talentos: profissionais considerados talentos por suas habilidades de inovar, criar e produzir em alto nível precisam de ambientes flexíveis para evoluir e alcançar sua melhor performance.

– Satisfação e bem-estar: criar possibilidades de adaptar o trabalho a vida pessoal é fundamental para elevar a satisfação das pessoas e o bem-estar físico e mental.

– Redução de custos: em muitos aspectos, patrocinar grandes estruturas físicas e necessidades de mobilidade geram custos elevados e não conversam com um futuro de transformação digital.

É importante compreender a necessidade de desenvolver ações para conduzir essa nova cultura, aliando práticas de feedback constante, ferramentas de comunicação e possibilidades iguais de trabalho para todos os colaboradores.

Esses são apenas alguns benefícios bastante evidentes de uma cultura que priorize o resultado ao invés da dedicação. Um ambiente que promova a confiança, a flexibilidade e a autonomia estará mais preparado para enfrentar as transformações e as incertezas com inovação e criatividade.

*Ricardo Missel é sócio da Missel Capacitação Empresarial, Administrador, Especialista em Design Estratégico e Finanças Empresariais



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