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SUA EQUIPE NÃO LHE OUVE? ENTÃO COMECE A ESCUTÁ-LA – artigo publicado na coluna de Simoni Missel no Jornal Zero Hora (Imagem: Freepik.com)

*Por Simoni Missel

O grande segredo quando você quer convencer pessoas a respeito de suas ideias e opiniões é aplicar a arte de começar a escutá-las ainda mais.

“Escutar com empatia requer coragem e vontade de deixar velhos hábitos para trás e abraçar os novos que podem parecer, em um primeiro momento, ladrões de tempo e ineficientes. Mas, uma vez adquiridos os hábitos de escuta, são habilidades essenciais dos verdadeiros e bem sucedidos líderes.”  Ram Charam – Guru americano da Administração

A capacidade de ouvir é uma das 10 competências fundamentais exigidas de um líder para dar Feedback Corporativo. A capacidade do líder em oferecer feedback às suas equipes é diretamente proporcional a sua capacidade de ouvir o que lhe é dito. Ele não está ouvindo verdadeiramente quando, olhando para tela do computador, diz a seus subordinados: “Vai falando que estou ouvindo” ou quando você está olhando para a pessoa que fala, mas sua cabeça está em outro lugar, nem mesmo quando interrompe quem lhe ouve.

Quebrar hábitos depende de muita disciplina e treino. Crie o hábito de perguntar as pessoas se você entendeu o ponto de vista delas e peça feedback de seus takers (termo desenvolvido por mim para definir aquele que recebe o feedback corporativo).

Porque não ouvimos com mais frequência? Provavelmente porque seja desconfortável. Exige que escutemos ideias de que talvez discordamos ou que prestemos atenção em pessoas que talvez não gostamos. Mas é isso que chamamos de liderança e gestão de equipes. A essência da liderança é: ouvir as pessoas, compreender suas ideias e opiniões e orientá-las a identificar suas necessidades e perspectivas.

Tive uma experiência curiosa e ao mesmo tempo fascinante com um coachee, gerente de logística em uma empresa multinacional de serviços. Durante a reunião de gestores que ocorre mensalmente, percebi que Luiz (o coachee) pouco expressou suas ideias ao longo dos primeiros 40 minutos de reunião onde a equipe de gestores tratava sobre os projetos de suas áreas para os próximos seis meses. O silêncio do gestor poderia transmitir desinteresse e falta de atenção em relação aos assuntos em debate.

Enquanto eu o observava, identifiquei que seus olhos moviam-se atentamente para os participantes, sempre que estes se manifestavam. Conclui então, que ele estava escutando atentamente a todos os participantes e em alguns momentos, durante a reunião, era o último a falar. Após a metade da reunião, Luiz decidiu fazer seus comentários e expressar sua opinião a respeito dos assuntos tratados. Curiosamente, foi capaz de descrever os posicionamentos de cada um de seus colegas de forma clara e objetiva. Enquanto falava, as pessoas se identificavam com seus comentários e muitos deles balançavam a cabeça em concordância. Além disso, fazia relações entre as opiniões de cada um e os resultados que queriam conquistar.

Sem dúvida, Luiz estava silenciosamente atento e ouvindo verdadeiramente as posições de seus colegas ao longo de todo o período da reunião de gerentes. Por isto, todos o ouviam sem muitos questionamentos, pois sua percepção, habilidade de associar ideias e argumentos eram surpreendentes. Parecia que ele havia percebido além das palavras, aquilo que não havia sido revelado verbalmente, e demonstrava-se aberto para aprender algo novo com as diversas opiniões.

Um momento de silêncio e depois algumas palavras pensadas podem ser uma forma de “liderar pelo exemplo”. Líderes que costumam ouvir mais preferem contribuir com opiniões consistentes e fundamentadas, o que aumenta sua credibilidade perante outros. Estes líderes quando falam, todos sabem que irão acrescentar algo significativo para a discussão.

Muito se acredita, equivocadamente, que a capacidade de persuadir está diretamente relacionada ao quanto se fala. Na verdade, tenho percebido nos relacionamentos profissionais que ouvir atentamente pode ser mais persuasivo do que falar. Para o antigo filósofo chinês Lau Tzu, “um líder é melhor quando as pessoas mal sabem que ele existe; quando seu trabalho é feito, quando seu objetivo é cumprido e quando elas dizem: nós mesmas fizemos”.

*Simoni Missel é Coach Executiva, especialista em Gestão de Pessoas, mestre em Psicologia e Sócia diretora da Missel Capacitação Empresarial.

 



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