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RACIOCÍNIO DIGITAL OU PENSAMENTO COMPUTACIONAL

*Por Claudio D’Amico

Neste artigo, quero analisar uma das Competências 4.0 que mais tem impactado a formação dos profissionais de todas as gerações, desde os ensinos mais básicos da vida até os cursos de pós-graduação. Nos Estados Unidos, por exemplo, as escolas estão ensinando às crianças a linguagem de programação na grade curricular.

Quer queira ou não, as crianças estão tendo uma preparação tecnológica formal ou informal. Ao observarmos uma criança no seu dia a dia, dá a sensação de que ela nasceu com um chip na ponta dos dedos, basta ver a habilidade para lidar com as telas dos smartphones e dos tablets. Pensando na grande transformação que estamos experimentando, as “telas” serão a principal ferramenta de trabalho da humanidade.

Crianças já estão fazendo cursos de programação, embora pareça prematuro. Este conhecimento ensina a planejar, desenvolve o pensamento lógico, além de continuar desenvolvendo a criatividade, o que é natural da criança. Ajuda a entender o porquê das coisas, suas causas e consequências.

Será uma excessiva estimulação para o desenvolvimento do raciocínio lógico? Sim e não. Quem tem um perfil mais emocional tende para o desenvolvimento de aplicativos e jogos. Já os perfis mais racionais, para o desenvolvimento de sistemas e softwares para drones e veículos autônomos, só para citar alguns exemplos.

Aqui está sendo desenvolvida uma das Competências 4.0, muito necessária para este momento disruptivo, que é o Raciocínio Digital ou Pensamento Computacional.

Muitas pessoas questionam sobre as crianças de hoje que deixam de viver a natureza, não se relacionam com seus amigos e estão sempre na frente de uma tela. Estes dias, um cliente comentou que seu filho, de 12 anos, disse que ia estudar e foi para o quarto. Mais tarde, ele deu uma espiada para ver se ele realmente estava estudando e teve uma bela surpresa: seu filho estava conversando com mais dois colegas de aula pelo monitor do computador, onde os três estudavam e discutiam matemática.

A psicologia do desenvolvimento também vem revendo suas teorias. Baseados em dados gerados por câmeras wi-fi, onde são analisados comportamentos de crianças 24 horas por dia, estudos permitem a identificação de comportamentos diferentes dos percebidos anos atrás. Muitos desses comportamentos ocorrem em função da exposição a tecnologia e o volume de informações a que as crianças são submetidas hoje.

Temos que entender que esta é a situação do momento e não haverá mais volta. Por outro lado, também é importante que os pais ofereçam momentos de contato com a natureza e proporcionem a participação nas relações familiares e sociais. O contato com a tecnologia é muitíssimo importante, pois é como eles irão trabalhar no futuro, e um futuro que já é realidade! É claro que em função da baixa maturidade comum aos jovens, é importante que os pais estejam atentos aos limites e determinem quais são os usos e frequências em que a tecnologia é benéfica ou excessiva.

O mesmo é aplicável para o contexto dos negócios. Desenvolver o Raciocínio Digital vai muito além de saber utilizar o aplicativo ou sistema da empresa, ou se comunicar com os colegas apenas pelo Whatsapp, Skype ou outros programas. É necessário conseguir adaptar atividades do dia a dia dentro de um contexto que é diretamente impactado pela tecnologia e aproveitar os benefícios dela. Ainda assim, deve-se constantemente considerar a importância dos momentos presenciais como forma de gerar engajamento, confiança e relações interpessoais.

Profissionais da área da tecnologia e engenharia tem se destacado na liderança de empresas por apresentarem alta capacidade de Raciocínio Digital e Pensamento Computacional, competências desenvolvidas durante sua formação e atualmente utilizadas como habilidades diferenciais no desenvolvimento de estratégias e novos negócios adaptados a um mercado global digital. São ainda mais destacados aqueles que, além do Raciocínio Digital, conseguem desenvolver habilidades relacionadas as áreas humanas.

Cabe ressaltar que o Raciocínio Digital ou Pensamento Computacional não consideram a substituição das pessoas pelas máquinas ou por altos níveis de tecnologia, mas sim importância das conexões entre pessoas, sistemas e tecnologia como forma de vantagem competitiva.

Ter consciência de como essas Competências 4.0 impactam nossas relações e a forma como trabalhamos, seja sozinho ou em equipe, nos torna mais preparados para administrar a nossa carreira e as necessidades de mudança.

Então, o mundo está mudando e nós teremos que mudar também. Alguns enxergam este momento de forma assustadora, outros como normal e parte de uma evolução. Vejo tudo isto com “bons olhos”: são novos trabalhos, diferentes modelos de relações interpessoais e novos desafios que devem ser encarados como grandes oportunidades!

 

Claudio D’Amico

Diretor de Performance da Missel Capacitação Empresarial

www.competue.com.br

 



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