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OS SUPEREMPREGOS

Por Simoni Missel

A Quarta Revolução Industrial está trazendo rupturas num ritmo surpreendente nas áreas política, econômica e social, e o efeito cascata se reflete no modelo de trabalho, nos trabalhadores e nos empregadores com grande impacto.

Um exemplo da absurda velocidade dos ciclos das transformações é o anúncio de que Elon Musk espera ter uma frota de um milhão de táxis autônomos da Tesla nas ruas dos EUA em 2020. O que mais surpreende nesta notícia é que em um curto período de 10 anos, esta será a quarta onda de um processo de transformação do mercado tradicional de táxis, que iniciou em 2009 com o Uber. Por curiosidade, esta indústria havia operado em um mesmo modelo durante um século.

Empresas inteligentes e proativas perceberam que a disruptura é inevitável e já repensaram suas estratégias, considerando este novo contexto.

O acelerado avanço no uso da inteligência artificial, tecnologias cognitivas, automação de processos robóticos e robótica está obrigando pequenas e grandes empresas a discutirem sobre “um foco humano renovado”, com o objetivo de obter melhores resultados, tanto para as empresas como para as pessoas que nelas trabalham.

À medida que o tempo passa e a automação, cada vez mais, fazer parte do dia a dia das pessoas, se torna indispensável uma discussão profunda nos níveis diretivos das empresas a respeito de novas premissas em relação ao trabalho. Repensar quais as tarefas que devem ser realizadas pelos funcionários, quais as competências necessárias para desempenhar as novas funções, o que estimula estes profissionais, novos níveis de performance e velocidade de entrega, ou seja, uma relação de trabalho renovada, sempre considerando que a tecnologia está transformando também o perfil das pessoas, seus hábitos, costumes, valores e interesses.

Dentre diversos assuntos a serem debatidos pelos líderes das organizações estão as relações de trabalho e a necessidade de analisar estrategicamente todos os tipos de acordos em seus planos de crescimento. O grande paradoxo está nos trabalhos cada vez mais digitais e a busca da nova dimensão humana do trabalho. Criar empregos que combinem funções dos empregos tradicionais integradas com os ganhos de produtividade e eficiência da inclusão da tecnologia é o que chamamos de “Superemprego”.

Para atuar neste contexto de constantes rupturas e inovações, como não poderia deixar de ser, os líderes das organizações também precisam desenvolver uma nova abordagem de liderança e um novo mindset para que seus objetivos pessoais e profissionais sejam alcançados. Devem desenvolver novas competências que favoreçam a lidar com estas ambiguidades. Os líderes tem a função de gerir profissionais que precisam manter as funções tradicionais além de agregar conhecimento em tecnologia e inteligência artificial, administrar incertezas, aperfeiçoar-se nas competências cognitivas e emocionais.
Os resultados da pesquisa Global Human Capital Trends de 2019, publicada pela Deloitte Insights, revelam que a maioria das organizações ainda não renovaram o estilo de liderança do seu corpo diretivo para se adaptar a esta nova realidade e que 80% das empresas acreditam que precisam desenvolver seus líderes para atuarem de maneira diferente. Na percepção dos próprios líderes, 86% acredita que precisam reinventar sua capacidade de aprender e 84% disse que precisam repensar seus modelos de abordagem para melhorar a produtividade das equipes.

Este é um cenário que demanda muito trabalho, mas também de novas oportunidades.



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