(51) 3338 0220
missel@missel.com.br

OS EMPREGOS PÓS PANDEMIA

*Por Simoni Missel

É indiscutível que com a pandemia virão também novos hábitos, novas crenças, novos comportamentos e novas formas de vivermos a vida. As transformações ainda são inestimáveis, mas o certo é que muitas acontecerão, independente da nossa vontade.

A receita para sair desta crise é diferente da receita usada para sair de outras anteriores. Neste momento, estamos mais vulneráveis por ser uma crise sanitária e não uma crise apenas financeira, como as já conhecidas anteriormente.

O brutal impacto social e econômico gerado pela pandemia certamente trará transformações substanciais no mundo do trabalho. Os profissionais encontrarão novas alternativas de receita para sobrevivência.

O ingresso da tecnologia, na última década, trouxe um novo modelo de trabalho para o mundo corporativo, quebrando paradigmas antigos de sucesso. O advento da pandemia exacerbou e acelerou esta disrupção e expôs uma nova tendência de comportamento dos profissionais, no que se refere ao futuro do emprego.

No futuro, o trabalho não irá mais definir os profissionais, porque as pessoas terão mais de um trabalho ou, eventualmente, passarão por períodos sem fazer algumas coisas de forma dedicada. Os empregos não vão terminar, eles serão percebidos e vividos sob uma nova perspectiva. Um talento sempre terá trabalho, principalmente, porque as empresas precisam destes profissionais em momentos de crise para se diferenciarem. Porém, o modelo de contratação e gestão terá diversos formatos.

Muitos destes modelos de novas contratações ou formato de trabalho ainda serão definidos, por não terem histórico e exigirem modificações importantes na legislação trabalhista. Mas opções como trabalhar com contratos de curto prazo ou como freelancer já era uma prática conhecida para as empresas e profissionais de TI, como trabalhar por projetos específicos com maior flexibilidade, remuneração variável e opção por atividades de maior interesse, que agora serão ampliadas para outras áreas de atuação. As pessoas poderão ganhar menos por trabalhos específicos e terão tempo para fazer outras atividades também.

Quando falamos em profissionais de carteira assinada, para manter os empregos, as empresas estão reconsiderando os contratos de trabalho em tempo integral e no modelo presencial,  revisando os planos de incentivos para aumentar o engajamento dos profissionais à distância. A tendência é redução de carga horária e remuneração, horários flexíveis, home office, trabalhos virtuais, revisão de encargos trabalhistas, novos paradigmas de convivência social no âmbito profissional e redefinição do uso da tecnologia e redes sociais no âmbito não presencial.

Na minha experiência com desenvolvimento das lideranças, acompanhando gestores de diferentes gerações e empresas de diversos segmentos, percebo que estão cada vez mais atentos para o autoconhecimento, investindo em programas de Assessment e Coaching Executivo para identificar os próprios comportamentos, pensamentos e sentimentos que possam se tornar obstáculos para enfrentar estas transformações e executar a agenda de gestão de mudanças. Está ampliando a consciência destes profissionais de que não há restrições tecnológicas nem metodologias para acompanhar esta revolução ditada pela pandemia, e sim, muitas vezes, somos travados pelos próprios modelos mentais (receios, medos, conflitos, como lidar com incertezas, ansiedades, feedbacks, transparência, ética…).

A abrupta inserção de novos paradigmas coloca os profissionais preparados e conscientes como parte da solução para superar o desafio global da pandemia.

*Simoni Missel é Sócia Diretora da Missel, Psicologa, Coach Executiva e Especialista em Gestão de Pessoas.



Voltar