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O PODER DA LIDERANÇA INFORMAL 

*Por Ricardo Missel 

Um dos grandes desafios no mundo corporativo está na capacidade dos líderes e da área de RH em multiplicar a cultura da organização e o suporte emocional para todos os colaboradores. Grandes organizações com centenas ou milhares de pessoas em diferentes espaços geográficos precisam coordenar iniciativas alinhadas a estratégia da empresa e se preocupar com a saúde mental dos colaboradores, e isso nem sempre é apenas sobre comunicar e promover campanhas. 

As características de um líder como persuasão, capacidade de influência, boa comunicação e empatia nem sempre são exclusividade de pessoas em cargos de liderança. Dentro de cada negócio, é possível identificar colaboradores com essas habilidades atuando em cargos menos estratégicos ou até mesmo operacionais. São pessoas que se destacam pelo comportamento agregador e pela capacidade de compreender o contexto da organização, as necessidades individuais e representar a cultura do negócio. Podemos chamar essas pessoas de Líderes Informais. 

Os Líderes Informais (LIs) possuem a capacidade de refletir a empatia e a motivação direcionada dos líderes formais, já que possuem uma excelente percepção de fatores socioemocionais e conseguem se posicionar frente às atitudes e comportamentos de outros colaboradores, de forma a orientar e colaborar para o bom desempenho. Nessa perspectiva, os LIs ganham grande importância na missão de multiplicar o encorajamento e a motivação, atividades fundamentais dos líderes formais, normalmente fazendo isso de forma involuntária (mas muito positiva) através do exemplo. 

Em períodos de crise como o que vivemos agora, o papel dos LIs fica ainda mais evidente. É comum identificarmos pessoas que estão necessitando de suporte emocional e psicológico para enfrentar esse momento quando conseguimos criar relações de confiançaOs LIs podem assumir o papel de aconselhamento e suporte através de conversas e apoio à comunicação direta dessas pessoas, já que possuem as competências necessárias para isso. Dessa forma, eles acabam atuando com multiplicadores do suporte tão necessário em situações de fragilidade afetiva. Isso pode ocorrer através de canais diversos como fóruns, canais de e-mail, chats e, em alguns níveis, conversas frequentes estruturadas e até coaches internos. 

A identificação dos LIs não deve ser uma tarefa complicada. Em todos os espaços da organização, desde os setores mais operacionais até os mais estratégicos, podemos identificar pessoas que se destacam nesse sentido como líderes naturais nas organizações. Na maior parte das vezes, são identificados como exemplos de bom desempenho, comportamento e nutrem relações com seus colegas baseadas em confiança. Para encontrá-los basta reunir algumas opiniões e trocar algumas conversas com as pessoas dentro da organização. Pensar na capilaridade dos LIs também é fator relevante, a fim de promover esse movimento de apoio de forma sustentável. 

Em função das habilidades de relacionamento, é provável que esse papel de LIs seja praticado inconscientemente por essas pessoas em diversas situações, não apenas na crise. Mesmo assim, a fim de potencializar essas capacidades, aproximar os líderes formais dessas pessoas e questioná-las sobre como podem apoiar esse processo de multiplicação da cultura e do suporte emocional pode ser uma atividade com insights bastante surpreendentes e positivos. Não se espante se nessa troca ainda seja possível identificar líderes natos que possam se tornar grandes líderes formais para o seu negócio. 

*Ricardo Missel é sócio da Missel Capacitação Empresarial, Administrador e Especialista em Design Estratégico.



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