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NÃO HÁ SUCESSO SEM SUCESSÃO

*Por Ricardo Missel

Dentre as maiores urgências despertadas pelo Coronavírus, as principais estão relacionadas às pessoas e a gestão do conhecimento dentro das organizações. Por isso, algumas questões que pareciam pauta apenas de grandes empresas começaram a virar preocupação também de pequenos e médios negócios: a sucessão.

Muitas vezes, esse processo é quase natural. Pais passam aos seus filhos o conhecimento relacionado ao negócio de forma praticamente inconsciente. No dia a dia, a troca de experiências e a percepção dos mais jovens e menos experientes sobre o trabalho dos profissionais mais seniores é o que molda o perfil dos sucessores. Raramente, esse processo de perpetuação do conhecimento e do negócio em si é feito de maneira clara, transparente e proposital. Na maior parte das situações, um processo de sucessão bem desenvolvido poderia salvar os negócios em momentos críticos e inesperados.

Pesquisas mostram que entre 80% e 90% de todas as empresas no mundo são familiares. Se fossem consideradas uma nação formariam a 3ª maior economia do mundo, atrás apenas dos EUA e China. De todas essas, cerca de apenas 10% conseguem chegar até a terceira geração dos negócios. Duas são as principais razões para esse fenômeno negativo que caracteriza as empresas familiares em todo o mundo: a falta de qualificação dos sucessores e a ausência de um processo formal e organizado de sucessão. E esses são apenas os problemas mais evidentes e politicamente corretos para essa realidade.

Todo processo de sucessão envolve pessoas, ou seja, prioriza a lógica emocional em detrimento da lógica racional. Portanto, é resultado de uma combinação de interesses, comportamentos e vaidades. O principal objetivo de profissionalização da sucessão é justamente a tentativa de minimizar essas questões, criando regras e condições que reduzam a parcialidade e subjetividade características desses processos e administre os conflitos entre os envolvidos. Formar conselhos de administração, contratar consultorias e terceirizar programas de avaliação de competências são exemplos de estratégias para lidar com esses desafios.

Essas variáveis têm impacto decisivo na longevidade dos negócios. A falta de planejamento nesse sentido é a receita perfeita para o fracasso do negócio. E não existe receita para o sucesso. Cada negócio precisa considerar questões específicas que envolvem a família e a empresa. Substituir o conceito de sucessão pelo princípio da “continuidade do negócio” pode ser o primeiro passo para despertar os envolvidos para importância de um plano sucessório, pois é esse o seu objetivo: continuidade.

Pensar a longo prazo é uma fraqueza dos negócios familiares, que em sua maioria são iniciados e conduzidos com foco na rentabilização de uma geração, e não na sua perpetuidade. Na maioria das vezes, a tomada de decisão nesse tipo de empresa está mais alinhada aos interesses da família do que à estratégia ideal para o crescimento do negócio. Acomodar interesses familiares dentro dos planos da organização é uma prática perigosa e extremamente comum.

A evolução dos planos de negócio precisa estar diretamente alinhada às expectativas do negócio, e não das pessoas que fazem parte dele. O sucesso das empresas nasce do entendimento de que as pessoas precisam ser substituíveis sem impactar a continuidade de suas estratégias.

*Ricardo Missel é sócio da Missel Capacitação Empresarial, Administrador e Especialista em Design Estratégico.



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