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MUNDO LÍQUIDO

*Por Simoni Missel

Precisamos perceber os sinais e as tendências que estão remodelando o mundo e transformando a sociedade para enfrentarmos melhor os desafios, e compreendermos os novos cenários que se apresentam no dia a dia, com clareza e capacidade de análise.

Para conviver no mundo moderno, comentarei sobre o conceito de Mundo Líquido e habilidades que lhe ajudarão a navegar nesta era de total disruptura com o passado.

Mundo Líquido, um mundo sem forma, sem divisões e sem barreiras, foi o termo criado por Zygmunt Bauman, sociólogo polonês e professor da London School of Economics. Bauman refere-se ao mundo em estado líquido, que se esvai por entre os dedos, mas que também é capaz de se adaptar a qualquer receptáculo e continuar fluindo. Os líquidos se movem facilmente, “fluem”, “escorrem”, “respingam”, “vazam”, “inundam”, “borrifam”, “pingam”; são “filtrados”, “destilados”, contornam certos obstáculos, dissolvem outros e invadem ou inundam seu caminho.

Líquidos não mantem a forma e estão constantemente prontos e propensos a mudar com facilidade seu curso, o formato e o espaço que ocupam, diferentemente do sólido, que pode ser facilmente controlado, tem uma forte tendência em manter a forma com facilidade e ocupar espaços delimitados.

Este conceito retrata a Era em que estamos vivendo, de rápidas transformações e quebra de paradigmas, revisão de conceitos, crenças e valores até então absolutos, com uma velocidade desconhecida na história e de complexa assimilação até para as pessoas com mais habilidade para mudança. Podemos relacionar o conceito de Modernidade Líquida à sociedade, relacionamentos e casamentos líquidos, amizades, empregos, produtos, empresas, feitos e desfeitos com facilidade e rapidez. Tudo indica que os seres humanos precisam adaptar-se cada vez mais rapidamente as transformações e disrupturas, compreender os diferentes cenários e enfrentar novos desafios.

Neste infinito mar de diversidades e imprevisibilidade, são muitos os caminhos a percorrer. Precisamos trabalhar com a ideia constante de que a transformação e as mudanças precisam ser administradas, e não evitadas. A resiliência e a capacidade de adaptabilidade são essenciais nesse momento.

Talvez, o primeiro passo para definição dos rumos durante esse caminho complexo seja a identificação de suas próprias competências e o investimento no autoconhecimento. Isso permitirá uma melhor e mais correta compreensão sobre os caminhos a se seguir, sem deixar de lado a sua essência. É fundamental que você esteja conectado com seu autoconhecimento e com o seu propósito, para depois poder se conectar a complexidade do Mundo Líquido.

Além disso, cientistas, líderes empresariais e especialistas em educação defendem a importância da empatia, não apenas como uma habilidade para a inovação, mas como uma urgência social. Perante tantos conflitos das mais diversas origens (política, social, ambiental, econômico, etc.), agir com empatia e colocar-se no lugar do outro são habilidades diferenciais na condução das relações e para alcançar resultados sustentáveis. O futuro exige autoconhecimento, adaptabilidade e respeito as diferenças.

No Mundo Líquido, do qual estamos falando, o futuro nos cobrará (e já está cobrando) o “compartilhamento e a colaboração continua”. A velocidade de resposta e soluções necessárias, sem histórico de indicadores ou experiências, exigem soluções inéditas e inovadoras, por vezes alcançadas somente quando muitas “cabeças estiverem pensando e colaborando com a diversidade de suas experiências”. O crescimento do ser humano se dá quando aprendemos, desaprendemos e reaprendemos.

Se o mundo está se tornando cada vez mais complexo, vamos oportunizar experiências de aprendizado dinâmicas, colaborativas e fluidas, como a extraordinária leveza e mobilidade dos líquidos.

 



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