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MENOS EGO E MAIS ECO – ONDE ESTÃO ESSES LÍDERES?

*Por Simoni Missel

Chegou a hora de aproximar o discurso da prática. Esta é grande revisão cultural das empresas em um momento de transformação global. A pandemia exacerbou um contexto que já estava instalado. Agora, em um momento de pressão política, econômica e social nunca visto antes, a prioridade é a gestão de crise, continuidade da organização, fluxo de caixa, redirecionamento estratégico, repensar o papel das lideranças e novas parcerias nos mais diversos âmbitos de atuação.

É o momento de redirecionar a gestão para o ecossistema, para uma atitude de colaboração, de uma nova consciência voltada para a liderança coletiva, unir forças e coparticipação, condições necessárias para a sobrevivência nesta fase de turbulência que acometeu o mundo.

Esse é o maior desafio sistêmico da maioria das gerações. Aprendemos a gerenciar com um pensamento fragmentado, fomos acostumados a pensar em uma perspectiva mais egóica, onde foco era nos resultados do “meu” time, nas atividades do “meu” setor, no desempenho da “minha” área. Por muitos anos, as empresas obtiveram excelentes resultados com uma gestão centrada no ego das lideranças, dos times e da própria empresa. Hoje vivemos em uma nova dimensão. Esta perspectiva não dará mais respostas às novas demandas e cenários, e o que se apresenta é uma nova relação de consumo e uma nova relação com as empresas.

A pandemia exacerbou o esgotamento do modelo de liderança centrado no ego. Vencerá aqueles indivíduos e empresas que mais rapidamente desenvolverem a visão na perspectiva do outro. Ex.: preciso ter a consciência de que se eu descartar minha máscara usada em recipientes inadequados, possivelmente poderá contaminar os profissionais que farão a seleção do lixo.

Equipes multifuncionais se tornaram instrumento de trabalho indispensável em qualquer organização, de qualquer setor. Reunir todas as áreas envolvidas nas diversas decisões que serão tomadas diariamente na empresa, para que tomem consciência do impacto desta decisão no âmbito geral da organização, é prática obrigatória.

Os modelos de estruturas organizacionais mais hierarquizadas não dão mais a resposta efetiva às demandas da sociedade e dos consumidores. Não é inteligente insistir nas mesmas formas de fazer a gestão. O padrão de comportamento organizacional onde valia o culto ao chefe, fazer o que é bom para o chefe, mas nem sempre para o cliente interno, externo ou stakeholders, não será mais a melhor estratégia. Isso impacta inclusive na atração e retenção de talentos.

Quero compartilhar um exemplo que deixa muito evidente esta mudança de mindset. Os fundos internacionais europeus, já há muito tempo, investigam o modelo de gestão de pessoas de uma empresa antes de fazer seus investimentos. Eles querem saber como esta empresa gerencia pessoas, com a mesma importância e interesse que tem pela saúde financeira do negócio. Querem analisar as chances desta empresa estar saudável nos próximos 10, 15 ou 20 anos, para então decidir os seus investimentos. Agora os fundos brasileiros, mais recentemente, começam a trazer à luz de suas negociações, o interesse na perspectiva da gestão estratégica de pessoas, como são desenvolvidas, incentivadas, os planos de sucessão e as perspectivas de futuro da organização.

Os novos executivos que já estão à frente de muitas organizações, aqueles chamados de millennials, nascidos após o início da década de 80 até aproximadamente 1995, já tem um comportamento mais coletivo e mais socialmente sustentável do que a Geração Baby Boomers e X que estão, até então, assumindo a maior parte dos cargos diretivos.

Certamente, estes jovens poderão contribuir para a aproximação do discurso com a prática colaborativa, pela sua experiência com novos modelos de negócios, práticas de modelos digitais, melhor compreensão do sistema de estruturação em rede, etc. É hora de criar um modelo de aprendizagem que fomente o mindset: “Tem que ser bom para todos, senão precisamos revisar.”

*Simoni Missel é Sócia Diretora da Missel, Psicologa, Coach Executiva e Especialista em Gestão de Pessoas.



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