(51) 3338 0220
missel@missel.com.br

LEARNING AGILITY

Por Claudio D’Amico*

Muito se fala no meio corporativo sobre as competências de futuro. No entanto, esse “futuro” é a realidade que vivemos nos dias de hoje, onde algumas novas competências são necessárias agora. Estamos vivendo um período de muita complexidade e incertezas, o que exige cada vez mais uma mentalidade adaptável e flexível, com prontidão para o aprendizado e experimentação constantes.

Uma das várias competências requisitadas para este momento que estamos vivendo se chama Learning Agility. Ela pode ser definida como uma habilidade relacionada à vontade de aprender com a experiência e, posteriormente, aplicar esse aprendizado para uma nova situação, de forma ágil e assertiva.

A capacidade de aprender é um termo que compreende uma variedade de características e atributos individuais, que permitem que as pessoas desenvolvam ou aperfeiçoem seus conhecimentos e competências de acordo com as demandas do trabalho. Quando mensuramos a capacidade de raciocínio de um indivíduo e este atinge altos escores nesta avaliação, mesmo em situações adversas, poderemos afirmar que este apresenta grande velocidade e flexibilidade no processo de aprendizagem. Tais características têm sido evidenciadas como fatores associados às mudanças organizacionais e inovação.

O conceito de Learning Agility, no ambiente profissional, explica a diferença entre as pessoas que aprendem com suas experiências e aplicam prontamente esse conhecimento para se destacar em novas situações ou trabalhos. Em um contexto atual de constantes mudanças, Learning Agility foi considerado pela revista FORBES um conjunto de competências essenciais para os talentos e líderes do futuro.

Os autores Michael Lombardo e Robert Eichinger são pesquisadores especialistas em aprendizagem e desenvolvimento e observaram que a Learning Agility é composta por quatro fatores:

  1. Agilidade mental:vinculado a novas ideias, flexibilidade, abertura mental e pensamento rápido;
  2. Agilidade interpessoal:relacionado com a procura por feedback, relacionamento interpessoal com diferentes perfis e aceitar ideias opostas;
  3. Agilidade em mudança:se adaptar, participar e promover mudanças, entender o momento de mudar e otimização de processo;
  4. Agilidade em resultados:orientação a objetivos e metas, capacidade de obter e avaliar os resultados em condições diversas e apresentar um grande impulso para os resultados.

Alguns anos depois, incluíram o quinto fator que é a autoconsciência, que se refere também ao autoconhecimento. É um fator transcendente que impacta nas demais dimensões e está relacionado a percepção de si próprio em termos de pontos fortes e fracos e como fortalecer suas habilidades e compensar os gaps.

Os pesquisadores Michael Lombardo, Robert Eichinger e Morgan McCall realizaram uma pesquisa que demonstrou que a dificuldade em alcançar êxito deve-se, principalmente, pela não adaptação às novas situações, utilizando-se em excesso padrões anteriores de respostas. Portanto, uma das principais razões para o fracasso desses executivos evidenciadas na pesquisa remete à dependência excessiva de habilidades utilizadas anteriormente, confiando em demasia nas habilidades antigas que os tornaram bem-sucedidos, algumas não aplicáveis em suas novas funções. Isso fica bem evidente em frases como: “mas sempre foi feito assim…”.

A seguir alguns dados apresentados por um estudo conduzido pela Consultoria Korn Ferry em 2014:

  • Somente 15% da força de trabalho no mundo tem alta capacidade de agilidade de aprendizado.
  • Companhias que contam com executivos de alto aprendizado ágil apresentam lucratividade 25% maior.
  • Executivos com altos níveis de agilidade de aprendizado apresentam tolerância à ambiguidade, empatia e fluidez social e são cinco vezes mais propensos a serem altamente engajados na empresa.
  • Pessoas com alta agilidade de aprendizado são promovidas 2 vezes mais rápido que pessoas com baixa agilidade de aprendizado.

Pessoas com alta agilidade de aprendizagem têm a capacidade de incorporar novas habilidades de forma rápida e eficaz e simultaneamente identificar e desaprender comportamentos sabotadores, ou seja, são profissionais com mindset adaptativo e de aprendizagem ágil.

A neurociência tem apresentado cada vez mais estudos sobre a neuroplasticidade do cérebro e a capacidade de criar conexões neuronais ao longo de toda a vida. Portanto, a capacidade de aprender, adquirir novos conhecimentos e transformá-los em ações práticas se fortalece progressivamente com treino e ambiência.

É importante que cada um faça uma reflexão a respeito da sua capacidade de agilidade de aprendizagem (Learning Agility). É uma das competências que fazem diferença na competitividade para o mercado de trabalho.

Aprenda a aprender.

*Claudio D’Amico é Sócio Diretor da Missel, Psicólogo, Coach Executivo e Especialista em Performance.



Voltar