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DESCONECTAR PARA CONECTAR

Por Claudio D’Amico

Você já parou para pensar quanto tempo gasta no celular, computador e nas redes sociais diariamente?

Os tempos mudaram. A velocidade das coisas mudou. Todos nós mudamos. A atividade profissional, para a maioria das pessoas, exige muito uso da tecnologia para realizar as atividades. Nos comunicamos com as pessoas por voz, mensagem de texto e por vídeo. A distância não é mais um empecilho. É só agendar um horário e fazer uma reunião com qualquer pessoa em qualquer lugar do planeta, desde que haja conexão com a internet. Mais da metade da população mundial está usando a internet – mais de 4 bilhões de pessoas.

Há muitas ferramentas que nos possibilitam a conexão (virtual), como por exemplo: Skype, Google Hangouts, GoToMeeting, Whereby (ex-Appear), WhatsApp, WeChat (versão chinesa do WhatsApp), Talky, FaceTime (usuários Apple) e muitas outras pagas e de uso gratuito.

Todas as ferramentas digitais estão aí para nos ajudar, mas também podem atrapalhar muito e até prejudicar.

As pessoas estão tão acostumadas com a tecnologia que se esqueceram das coisas básicas da vida. Em alguns momentos, é importante desconectar-se. Experimente largar o celular bem longe (por mais que seja difícil), e dedique-se totalmente às pessoas com as quais você se sente bem, amigos, família. Muitas vezes negligenciamos pessoas que estão na nossa frente e no nosso convívio para nos concentrarmos nas mensagens e notificações.

Ao longo dos dias, instalamos milhões de aplicativos no celular e muitos deles não são necessários. Como se não bastasse isso, ainda deixamos alertas e milhares de notificações ativadas e interrompemos os nossos afazeres cada vez que o celular dá um sinal de vida. Invista um tempo para analisar e deixe apenas as notificações e aplicativos que fazem algum sentido para você e tenham real importância. Caso contrário, não hesite em apagar.

O psiquiatra Christophe André evoca essa compulsão digital na revista Psychologies: “Estamos nos tornando ‘obesos’ em informações inúteis, em links virtuais. Nós não somos mais capazes de autorregular a nós mesmos”.

O laboratório de mídia interativa em Stanford, que originalmente queria provar os benefícios da “multitarefa”, concluiu que “indivíduos que fazem muitas coisas ao mesmo tempo misturam informações. Eles acreditam em tudo e qualquer coisa sem discernimento. Essas multitarefas são simplesmente ruins em praticamente todas as tarefas”. O que é verdade, no entanto, é que aqueles viciados na web sofrem de modificações cerebrais semelhantes às dependentes de drogas ou álcool. “Sujeitos que têm problemas de dependência de internet mostram mudanças estruturais e funcionais nas partes do cérebro envolvidas na forma como tratamos emoções, tomada de decisão, controle cognitivo e atenção executiva”.

O uso excessivo do celular pode causar alguns sintomas como: dores de cabeça, dor no pescoço/ombro, tensão ocular, olhos secos ou irritados, atenção reduzida, irritabilidade.

Proponha-se a uma “dieta digital”, um “descanso digital”, que inclusive faz bem aos olhos.

Um estudo realizado pela Millward Brown Brasil e NetQuest em 2016 revelou que o brasileiro gasta mais de três horas por dia na frente do celular. Entre os jovens, a média é ainda maior: quatro horas. E o uso excessivo desses aparelhos tem aumentado a incidência de problemas de visão.

Mas há, também, outro fator cotidiano que preocupa os especialistas: as telas dos dispositivos eletrônicos. Cada vez mais presentes no nosso dia a dia, os smartphonestabletsTVs de alta definição e, até mesmo, as lâmpadas de LED emitem a chamada “luz azul”, que podem prejudicar a visão ao longo do tempo.

A luz azul emitida por TVs, celulares, computadores, tablets e também por lâmpadas de LED podem causar danos irreversíveis, segundo a diretora da Sociedade de Oftalmologia Pediátrica da América Latina, Marcia Beatriz Tartarella. “O efeito da radiação por fototoxicidade vai se acumulando nas células da retina, e isso causa a degeneração da mácula, área nobre da visão”, afirma. Segundo a especialista, é impossível perceber anomalias a curto prazo, mas qualquer sinal de fadiga visual, sensação de olhos secos, irritação ocular e até coceira, deve ser avaliado clinicamente.

Vice-presidente do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, José Augusto Alves Ottaiano explica que piscamos menos quando estamos em contato com a tela de computadores ou celulares, além de exercermos maior pressão para que a visão esteja focada.

“Nós piscamos em média 15 vezes por minuto. Este é o número necessário para uma boa lubrificação lacrimal. Porém, em situações de estresse, que exigem um foco muito grande do nosso olhar, essa quantidade pode se reduzir a quatro, cinco vezes por minuto. Isso gera uma sobrecarga ocular”, diz o médico.

Estamos passando por um período de ansiedade por informação conhecido como “FOMO” (fear of missing out), que pode ser traduzido do inglês como “medo de ficar de fora”, o que é muito comum entre as pessoas que não conseguem ficar ausentes das redes sociais. Precisamos alternar com o “JOMO” (joy of missing out), ou “prazer em ficar de fora” em português, que propõe uma desconexão. É claro que não significa excluir as redes sociais e qualquer tecnologia, porque muitas pessoas utilizam tudo isso no trabalho e no dia a dia. O objetivo é encontrar um equilíbrio e substituir o excesso de tecnologia por outras atividades prazerosas.

Como sugestão, faça novas amizades, descubra um hobby, desfrute a natureza, escreva (no método tradicional, com caneta e papel), observe sua alimentação, saboreie a comida, leia mais livros físicos, pratique exercício com frequência. Você com certeza conseguirá adaptar sua rotina se fizer um pouco de esforço.



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