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CONDUZINDO A INOVAÇÃO EM TEMPOS DE INCERTEZA

*Por Ricardo Missel

O mundo vive hoje um pico de incerteza. Mesmo que a tendência seja de crescimento nos últimos anos, o índice global de incerteza mensurado pela Deloitte bateu seu pico histórico desde 1990 e dobrou sobre o seu maior nível identificado entre 2012 e 2013. Estamos em um cenário onde nenhuma organização consegue colocar em prática 100% dos seus planos sem constantemente rever suas ações e realinhar suas estratégias conforme as coisas vão acontecendo. Muitas teorias que questionavam a efetividade do planejamento tradicional vêm ganhando relevância nesse contexto. Os tempos são complexos.

A única solução para sobreviver nesse contexto é o investimento em inovação. Inovar é a forma que nós humanos e as organizações encontramos para solucionar problemas desconhecidos e criar alternativas para enfrentar as incertezas do futuro. Mas como conseguir inovar em um ambiente de tanta ambiguidade e instabilidade?

Muitos fatores influenciam a capacidade de inovação de uma organização. A maturidade digital é um desses fatores – e cada vez mais importante. As empresas mais valiosas hoje são empresas digitais. Por isso, a transformação digital é o principal pilar para sustentar uma cultura para inovação, que se inicia sempre pelas pessoas.

Uma das estratégias mais eficientes quando se fala em inovação é a condução de dois motores de crescimento: o motor de crescimento 1, onde são operados os negócios que a empresa já possui e já foram validados pelo mercado. Esses negócios precisam remunerar os sócios, pagar as contas e sustentar um motor 2, onde a inovação realmente acontece. O motor de crescimento 2 é responsável por desenvolver novos produtos a partir de soluções de inovação exponencial. Dessa forma, a empresa consegue manter um caminho para inovação de forma sustentável.

Além da cultura, alguns fatores são bastante relevantes para conduzir essa inovação em um ambiente de constante incerteza:

Gestão de Dados e Cenários – interpretar os dados e construir informações para apoiar a criação de cenários.

Tecnologia e automação – acessar as ferramentas certas para desburocratizar e agilizar processos que podem ser realizados por robôs e computadores, liberando o capital humano para trazer a diferenciação real.

Alianças – utilizar das redes para criar parcerias ganha-ganha, economizando tempo e unindo esforços para desenvolver soluções mais completas e com tecnologia.

Estruturas flexíveis – manter custos baixos e estruturas de fácil adaptação ou mobilidade impedem que os investimentos percam valor ou as oportunidades não sejam aproveitadas.

Lifelong learning – incentivar e patrocinar o aprendizado constante e atualização são o combustível da inovação.

Espaços para prototipagem e projetos – criar laboratórios e espaços específicos para desenvolvimento de protótipos e MVP (mínimo produto viável).

Essas são algumas das estratégias que podem apoiar um ambiente de inovação durante períodos tão incertos. É claro que colocar em prática tudo isso não é fácil e demanda pessoas preparadas e dinheiro. De qualquer forma, identificar essas estratégias e criar um plano para executar uma ou duas delas já cria uma fonte de possibilidades.

Compreender a inovação como uma prioridade é essencial nos dias de hoje. Pare e reflita o quanto a inovação é compreendida pelas pessoas na sua organização. Talvez o primeiro passo seja mostrar o que ela é e os benefícios que pode trazer.

*Ricardo Missel é sócio da Missel Capacitação Empresarial, Administrador, Especialista em Design Estratégico e Finanças Empresariais



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