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AMBIDESTRIA: A HABILIDADE ESSENCIAL DOS MELHORES CEOs

*Por Ricardo Missel

Muitos estudos sobre competências tentam analisar e descobrir quais são as habilidades mais relevantes para os CEOs das empresas. Isso porque, na maioria das vezes, o sucesso ou fracasso das organizações é diretamente relacionado as capacidades desses profissionais, e a forma como eles conduzem a gestão dos negócios.

Um dos maiores desafios dos CEOs de hoje está em, ao mesmo tempo, conseguir definir estratégias de atuação da empresa nas condições atuais (o que precisa ser feito agora para responder as demandas do presente) e o que precisa ser desenvolvido para responder as demandas do futuro, agindo de forma pioneira (para responder agora as demandas do futuro).

É possível fazer uma relação com a Matriz de Ansoff (Mercado/Produto), onde os CEOs precisariam criar estratégias para atuar em mercados atuais e novos mercados, e alinhar as atividades da organização para responder as expectativas de diversos cenários, e não apenas do cenário atual onde a empresa se encontra.

Para esta habilidade do CEO em conseguir administrar as decisões do negócio tanto para o presente quanto para o futuro, conduzindo as estratégias de forma atual e preditiva em relação ao mercado, se da o nome de Liderança Ambidestra ou Ambidestria.

Essa habilidade é uma resposta direta ao Mundo VUCA (sigla do inglês, que traduzida significa volátil, incerto, complexo e ambíguo) em que as empresas se encontram. A velocidade das rupturas e transformações que impactam os mercados não permitem que os CEOs conduzam os negócios a partir de uma única estratégia. Assim, a Ambidestria passa ser a habilidade que permite as lideranças performarem de forma adaptada e sustentável.

Para desenvolver a Ambidestria é preciso considerar três princípios importantes:

1 – Mindset direcionado pela resiliência.

Ter a consciência de que a qualquer momento uma mudança ou disrupção pode definir que a estratégia deve ser totalmente desconstruída e reconstruída, a partir do nascimento de um novo cenário de negócio, e interpretar esse processo como construtivo e positivo. Além disso, saber que tanto as ações e estratégias atuais quanto as de futuro são fundamentais para a perenidade do negócio.

2 – Ter capacidade de multiplicar a Ambidestria com o C-Level.

A estratégia é como um jogo de xadrez, que só se ganha jogando com todas as peças. Por isso, é fundamental que toda a liderança da empresa esteja alinhada a partir dessa perspectiva e maturidade.

3 – Formar um time Ambidestro para área de criação e design de soluções.

Quem executa a estratégia também precisa saber das vantagens da Ambidestria. Multiplicar essa capacidade, administrando a ambiguidade de maneira positiva e madura torna todo o time inspirado e orientado para os resultados, independentemente do nível de ruptura e mudanças que impactam o negócio.

Acabamos percebendo que essa é uma habilidade que deve ser desenvolvida para além do CEO. É evidente que, para desenvolve-la de forma profunda, é necessária grande experiência e desenvolvimento, tanto pessoal como profissional, além do autoconhecimento. O primeiro passo é admitirmos que toda e qualquer estratégia não pode ser única, e poderá ser desconstruída e reconstruída a qualquer momento.



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