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VOCÊ QUER MESMO ENGAJAR A SUA EQUIPE? – *Por Simoni Missel

Os líderes precisam ser mais estratégicos, não somente no planejamento da empresa, mas também sobre “como” se expressar, principalmente em situações de estresse e frustração.

Rafael, gerente comercial nacional em uma empresa farmacêutica, faz há 7 anos a gestão de uma equipe de 35 pessoas. É considerado pela organização um talento high potencial. Os desafios são motivadores para Rafael. Um profissional inteligente, competente e de raciocínio rápido, me relatava sua falta de paciência em explicar mais de duas vezes a mesma atividade para algumas pessoas de sua equipe e se queixava: “Não compreendo por que as pessoas não fazem o que é combinado, ou não cumprem os prazos acordados”.

Eu ouvia atentamente o gerente enquanto relatava sua irritação e perguntei a ele: “Mas o que você faz quando se irrita nestas situações?”. E Rafael respondeu como habitualmente reagia com sua equipe quando se irritava. Descrevo seu relato abaixo e percebi que ele considerava esta uma reação muito natural: “Eu já falei 10 vezes e isto é um absurdo. Nós não havíamos combinado que você faria X,Y e Z? Se não fizer o que combinamos, com competência, ou se não cumprir os prazos acordados por nós, você nem deveria estar aqui. Eu não quero pessoas incompetentes trabalhando comigo”.

Fiquei perplexa com a naturalidade de Rafael ao contar sua reação e com a certeza de que estava adequado com esta postura.

Neste momento, lembrei de um ditado que aprendi com minha mãe e que por centenas de vezes ouvi na minha infância: “Mais importante do que ‘o quê’ se fala é o ‘como’ se fala.  Sempre pense duas vezes antes de falar e escolha bem as palavras e o tom de voz, para não perder a razão no que você diz.” Ainda hoje, quando me irrito com alguém, lembro destas sábias palavras de minha mãe e procuro segui-las.

Muitos líderes já perceberam e aplicam este conceito em sua gestão, mas inacreditavelmente outros como Rafael não perceberam que a “bola volta na mesma intensidade que bate na parede”. Ele até pode ter razão em sua percepção de que as pessoas da sua equipe precisam ter mais velocidade e serem mais autocríticas consigo mesmas em relação aos prazos de entrega, porém, é preciso analisar o impacto que suas palavras podem causar nas outras pessoas, principalmente em um ambiente organizacional, onde a relação profissional e as estratégias da empresa estão em destaque. Caso contrário, estará fazendo um desabafo de suas ansiedades sem foco no resultado, atitude que não é mais tolerada com equipes extremamente bem informadas e exigentes, em um mercado altamente competitivo.

Inteligência emocional é, também, estar atento para a forma de falar com as pessoas de seus relacionamentos, o tom de voz utilizado e escolher “as palavras” que você deverá usar. Estes são fatores de suma importância para o sucesso da comunicação e condição fundamental para obter os resultados através das pessoas.

Depois de algumas reuniões de Coaching Executivo, Rafael se conscientizou da necessidade de mudar a maneira de falar com a equipe, passou a identificar mais facilmente os diferentes perfis, bem como, o potencial e velocidade de cada um. Criou estratégias, palavras e tom de voz específico para lidar com seus subordinados e percebeu resultados surpreendentes.

Após alguns meses, em uma das reuniões de Coaching Executivo, Rafael analisou também o seu comportamento anterior com a equipe e disse que hoje se envergonha das palavras ofensivas que usava com o time: “Hoje tenho uma equipe mais engajada, motivada e nossos resultados estão ainda melhores. Descobri a duras penas que usar palavras que fazem as pessoas se sentirem ofendidas desperta sentimentos de revolta, desvalorização, falta de comprometimento e necessidade de vingança”.

*Simoni Missel é Executive Coach, especialista em Gestão de Pessoas, mestre em Psicologia e Sócia diretora da Missel Capacitação Empresarial.



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