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feedback positivo

OS MISTÉRIOS DO FEEDBACK POSITIVO

*Por Simoni Missel

Empresas bem-sucedidas já adotaram o feedback corporativo como uma ferramenta de gerenciamento e retenção de talentos. Porém, utilizá-la tem sido um dos grandes desafios dos líderes na atualidade, não por questionarem a validade da técnica e nem mesmo seus resultados, mas pela dificuldade de sistematizá-la ou torná-la uma prática contínua com suas equipes, pares e superiores. A situação se agrava ainda mais quando se trata do feedback positivo.

Uma vez que o feedback é a informação clara que o indivíduo obtém sobre sua performance tanto no trabalho como na vida pessoal, a técnica permite a compreensão do impacto que estas atitudes exercem sobre as outras pessoas. Talvez este seja um de seus maiores benefícios para o aperfeiçoamento e desenvolvimento dos profissionais. Quando você tem uma atitude em um ambiente onde outras pessoas convivem com você, é importante saber qual o impacto que você causou. Isto pode lhe proporcionar oportunidades de reflexão e escolhas.

Os desafios se agravam quando o assunto é feedback positivo. Ele deveria ocorrer naturalmente para reforçar um comportamento ou desempenho que está bem. Mas na prática a realidade é outra.

Venho acompanhando centenas de executivos de diversas áreas de atuação e segmentos, e invariavelmente me deparo com depoimentos de frustração pela falta deste feedback. Tenho realizado algumas pesquisas para compreender o porquê as pessoas não têm esta prática.

O mistério ocorre porque sabemos que o feedback positivo é o maior e mais consistente motivador das pessoas quando dado de forma correta, em intensidade e momento adequados. Isto ocorre porque o feedback positivo atua diretamente na autoestima e autovalorização do indivíduo, tendendo a potencializar comportamentos positivos, mesmo aqueles que não estão sendo mencionados no feedback.

Estes resultados são evidenciados não só no âmbito profissional, mas também no pessoal (familiar e social).

Quero compartilhar aqui algumas curiosidades que descobri ouvindo depoimentos de gestores que participam dos treinamentos e capacitações para a prática do feedback corporativo, que desenvolvo em diversas empresas.

Ao escolher feeders (quem dá o feedback) para dar feedback, a maioria dos takers (quem recebe o feedback) relatam que:

  1. Receber feedback positivo formal dos superiores, por incrível que pareça, ainda é um tabu. Escuto alguns comentários como: “Assim como meu superior não recebe feedback positivo eu também não recebo dele e, consequentemente, não tenho o hábito de dar aos meus subordinados. Este é o famoso efeito cascata.
  1. Receber feedback positivo formal de colegas de trabalho é também pouco frequente, superficial, focado exclusivamente na tarefa e não no comportamento do colega. O mais comum é: “Sua palestra foi muito boa, continue assim.” E dificilmente ocorre: “Admiro sua competência! A palestra estava muito boa, com uma pesquisa consistente e dados atualizados. Sua postura foi bem profissional.”
  1. Quando os familiares são solicitados a dar feedback positivo, as esposas são as que mais demoram para atender a esta demanda, adiando o máximo possível para dar um feedback positivo aos seus maridos.
  1. Outra curiosidade relevante dos gestores, é a dificuldade de pedir feedback positivo para os seus pais. Aqueles que conseguem pedir, se surpreendem positivamente com o que ouvem. Alguns confessam que a partir deste momento, percebem seus pais de outra maneira, compreendendo-os e aproximando-se mais deles.
  1. Receber feedback positivos dos filhos adolescentes tem sido uma das experiências mais fáceis para os pais, pois os filhos têm mais facilidade de dar feedback aos seus pais, tanto positivo quanto corretivo. Nestes casos, as surpresas são menos frequentes.

Para desvendar os mistérios do feedback positivo formal, precisamos refletir: por que, ao contrário do que se imagina, é mais difícil valorizar as pessoas que são mais próximas, tanto na relação afetiva quanto profissional?

*Simoni Missel é Executive Coach, especialista em Gestão de Pessoas, mestre em Psicologia e Sócia diretora da Missel Capacitação Empresarial.



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