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O QUE É PRECISO LEVAR EM CONTA NA HORA DE MUDAR DE CARREIRA – Colaboração de Simoni Missel*

Pessoas mais novas costumam ter mais facilidade para a guinada. Os mais velhos precisam avaliar o peso dos compromissos financeiros.

Por Erik Farina

A crise econômica tende a reforçar desconfortos com o trabalho: promoções congelam, salários não sobem, cobranças por desempenho se multiplicam e o profissional se acostuma a ver colegas serem demitidos. Uma pesquisa da International Stress Management Association (Isma) no Brasil mostrou que 72% das pessoas estão insatisfeitas com o trabalho. Outro levantamento, da Pactive Consultoria, aponta que 65% dos brasileiros gostariam de largar tudo para fazer algo mais ligado aos seus hobbies, que combine com sua personalidade.

– É crescente o movimento de pessoas que tomam a decisão de mudar de carreira, principalmente entre os profissionais mais jovens – percebe a psicóloga Simoni Missel, diretora da Missel Capacitação Empresarial.

Com amplo acesso a informação, graças a internet e à facilidade em aprender, os mais novos aproveitam seu conhecimento e informática e a facilidade para fazer contatos nas redes sociais para migrar rapidamente de profissão, afirma a especialista. Cursos de curta duração e conversas informais com quem já exerce a carreira almejada se tornam os caminhos mais curtos para a mudança.

LEQUE DE ESCOLHAS É MAIS AMPLO DO QUE A 10 ANOS

O surgimento de novas profissões em razão da internet – que vai de motorista particular a gestor de hotel dentro da própria casa, sem falar nas incontáveis oportunidades no mundo das startups – ampliou o leque de escolhas em relação a 10 anos atrás, tornando eventuais mudanças mais comuns sob a ótica de trabalhadores e empresas, afirma Simone Kramer, vice-presidente de expansão da ABRH-RS

– As empresas ficam mais receptivas a profissionais com outras formações mas que tenham competências desejáveis para os cargos, e não é por menos que cada vez mais instituições financeiras buscam engenheiros para trabalhar na gestão de produtos – exemplifica Simone.

A transição de carreira costuma ocorrer nos primeiros anos da trajetória, conforme o trabalhador conhece com maior detalhamento o dia a dia do serviço e a realidade do mercado. Mas nada impede que os mais velhos sigam pelo mesmo caminho – exceto, claro, os compromissos financeiros que se avolumam com o passar dos anos. Para esses, além de saber qual a nova carreira almejada, é preciso fazer uma análise minuciosa da vida financeira, aconselham as consultoras de carreira.

É importante projetar quanto tempo se levará para efetivamente começar a ganhar dinheiro na nova profissão e guardar recursos para a mudança. Também é preciso ter no radar os custos com a formação e a possibilidade de ter de encarar um estágio não remunerado para ganhar alguma experiência na nova área.

QUATRO PASSOS PARA A MUDANÇA:

1 – Você quer mesmo mudar?

A insatisfação com a própria carreira ou a vontade de adotar um hobby como profissão costumam mover quem pretende mudar o leme da profissão, mas precisam ser avaliados com muita cautela. Às vezes, a frustração com a carreira pode ser temporária, fruto de alguma tarefa recém assumida ou mal-estar em uma empresa. E então vem o anseio de rentabilizar o hobby. Ou seja, essa vontade pode ser passageira. Portanto, é preciso refletir se a decisão é a mais adequada.

2 – Faça a autoavaliação.

Sabendo de onde vem a vontade de mudar, será hora de avaliar o que mais se gosta de fazer na profissão, assim como o que se faz sem prazer. E então identificar como suas habilidades poderiam se encaixar em outra carreira. Essa análise pode levar em conta tanto habilidades técnicas quanto competências comportamentais (comunicação, autocontrole, liderança, marketing pessoal, postura profissional, etc.)

3 – Pesquise sobre a nova carreira.

Conhecendo seus pontos fortes e as carreiras em potencial para mudança, converse com pessoas que atuam a mais tempo na área em que deseja trabalhar. Veja o que é a rotina delas, o que fazem, quanto ganham e quais são suas impressões sobre o mercado de trabalho. Assim, ficará mais claro se a ideia que você tem sobre tal carreira se confirma na prática.

4 – Busque formação.

Decidida a mudança, será o momento de buscar formação. Curso online, MBA e pós-graduação podem complementar seu conhecimento e criar uma nova rede de relacionamento. Um alerta importante: não é preciso começar do zero sua carreira para mudar de área (cursando novamente uma faculdade e angariando experiência, por exemplo), já que muitos cursos de pós-graduação se propõe a abrir uma segunda área de formação com dicas práticas e muitas empresas têm boa disposição em recrutar profissionais sem experiência.

COMO SABER QUE CHEGOU A HORA

  • a sensação de insatisfação permanece mesmo quando há mudança de função;
  • desânimo ao sair de casa para trabalhar: a única gratificação é o dinheiro;
  • você passa a planejar a fazer as coisas que gosta apenas após se aposentar;
  • você tira férias, mas mesmo assim a insatisfação retorna quando elas terminam;
  • desenvolvimento de depressão ou transtorno de ansiedade.

*Simoni Missel é Executive Coach, especialista em Gestão de Pessoas, mestre em Psicologia e Sócia diretora da Missel Capacitação Empresarial.

 



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